A lógica da batata
Hoje não tirei fotografias, nem me lembrei. Talvez não houvesse nada de assinalável. Em frente, por baixo da entulheira, um bom pedaço queimado; atrás, fora da vista, por perto de Vila Viçosa onde em Março passamos na caminhada, tudo queimado — e tudo, são hectares e hectares.
Na parte da tarde, por detrás da montanha, mais fumo. Em frente, junto a um parque eólico, mais fumo. No regresso a casa, mais para os lados do Marco, outro incêndio activo. Não é inevitável, nem é natural. Enquanto houver perdão para os responsáveis, há-de arder tudo, até não restar nada.
Voltando aos assuntos internos do Sargaçal, hoje foi o dia que levei mais géneros para casa: batatas, ameixas caranguejeiras (ou raínha Cláudia), feijão e algumas laranjas. Mas, nem por isso me sinto muito satisfeito, devem ser os incêndios que me deixam neste estado de espírito, onde o resto me parece talvez mais negativo do que realmente é. O que é facto é que os feijões são algo miseráveis e as batatas mais ainda. Um dia a cavar para 150kg de batatas? Às vezes, julgo que tenho de re-equacionar toda esta situação.
O Sr. Cristóvão continua a dividir a água a que temos direito lá à maneira dele. É desconcertante, para dizer o mínimo. O problema é que cada vez que a água falta nos tubos, demora muito mais de uma hora a voltar a ter água nos tanques, encher e purgar os tubos (tirar o ar, senão a água não entra) e a paciência anda-se a acabar em grande velocidade.
Felizmente, o Sr. Américo apareceu e o Sr. Resende também, já no fim da tarde. Também o Sr. Alcino, para se combinar a rega durante o mês de Agosto. O Cláudio resolveu não aparecer.

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