Sanitas compostoras

Há um crescente número de pessoas que defende que os detritos de casa devem ser tratados localmente. Cada família, cada prédio, cada bairro, cada comunidade devia ser responsável pelo lixo e desperdícios domésticos que produz. O actual sistema de utilizar os rios e cursos de água como esgotos, que posteriormente depositam no mar milhões de toneladas de detritos, é o mais ilógico possível, com consequências que são por demais evidentes há anos.

A maior parte das pessoas não pensa no que acontece quando puxa o autoclismo. Os dejetos desapareceram da vista e isso é suficiente. Mas, na verdade, quer vão para estações de tratamento a 10Km de distância, quer vão directamente para o mar, os seus efeitos são devastadores na cadeia alimentar aquática. Quando juntamos à mistura detritos agrícolas e industriais, temos os resultados já conhecidos de todos: poluição e o total desperdício de um recurso precioso que é a água limpa.
As vantagens de tratar localmente os detritos caseiros são inúmeras, designadamente: redução significativa de utilização de água, produção de húmus de óptima qualidade adequado para enriquecer os solos, independência do sistema de esgotos, reciclar não só os dejectos humanos como a maior parte do lixo produzido, redução da poluição…
Existem muitos tipos de sanitas compostoras, algumas das quais prontas a usar e com tecnologia apreciável como as Sun-Mar, Envirolet ou Biolet. Outras são mais artesanais ou até “faça você mesmo”, o livro Humanure ensina como. Uma das grandes preocupações é com os odores desagradáveis, mas todos são unânimes em sublinhar que não existem. Outro problema é o contacto com as fezes e urina que no nosso mundo anti-séptico é um pouco estranho. Dependendo do modelo e design, esse contacto pode ser mínimo ou até não existir (menos que numa sanita normal). Na TV, num documentário, pude observar um repórter a manusear com as mãos o produto final que parecia exactamente terra húmida e segundo a descrição cheirava a “terra fresca da melhor qualidade” (isto após o período normal de compostagem, 12 a 18 meses). O papel higiénico, branco, também é compostado junto com o resto (mas outros produtos sanitários, nomeadamente femininos, não).
Depois de termos visionado o tal documentário na TV, tínhamos ficado bastante curiosos. Após esta pequena investigação na internet, passamos a potenciais interessados. Faz sentido, é limpo, é ecológico e o produto final é útil.
Alguns exemplos que encontramos:
City Farmer
Oasis Design (Art Ludwig também é um especialista em águas cinzentas).
Compostingtoilet.org (Uma grande colecção de recursos sobre este tema).

2 Responses to “Sanitas compostoras”

  1. Pedro Miguel Rocha

    Mais uma vez a informação deste artigo é muito útil.
    Descentralizar e promover a reciclagem de um resíduos o mais próximo da sua origem é sem dúvida a forma de atingir melhores resultados que tecnicamente como economicamente.

  2. Fernando Júnior

    Sem dúvida uma fonte de informação bastante útil, principalmente quando no nosso mercado o desconhecimento impera, aquando da busca de soluções ambientalmente correctas.

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