Lavrar a leira grande
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Mais um dia em que saí de casa sem vontade nenhuma. Acontece-me muito mais vezes que desejaria. O Cláudio vinha ao Porto ao médico, mas o Sr. Américo e o Sr. Zé iam lavrar a leira principal com as vacas. Não queria perder isso. O ano passado tinha-se frezado com um tractor.
E ainda bem que não perdi. Estava um bocado receoso que as vacas fossem maltratadas no processo (o Cláudio tinha mandado umas bocas nesse sentido) e que ainda me tivesse que incomodar, mas nada disso. Andaram para lá para trás e para a frente, com o Sr. Américo aos berros; “Ò vaca do boi!”; “Ò vaca do rego!”; e muito mais frases do género que já não me lembro, no meio de “Ho!”, “Ha!”, “Hei!”, “Hou!”… que programa!
No fim, ainda se passou a grade, para alisar a terra. E pronto. Em Agosto de 2003, a Leira Grande era mesmo muito diferente (apesar da luxúria da vegetação de Verão).
Quando cheguei tratei logo de tirar a erva que se cortou e formar um monte para composto. Acho que muitas das ervas já vão com semente, o que não é bom, pois as sementes das daninhas habitualmente sobrevivem ao processo e quando se devolve o composto à terra para cultivo, sai um monte de ervas.
De resto não fiz muito mais. Na última vez dei cabo de um braço, ao ponto de nem poder dormir dois dias. Ou foi o esforço ou um jeito. Mas desanima-me ir para lá e fazer pouco. Gradualmente fui-me sentindo melhor e ia tentando fazer força com o braço esquerdo.
O Cláudio apareceu de tarde. Coloquei-o a limpar o topo nascente e o Sr. Zé e Sr. Américo a plantar bétulas no limite inferior poente. Andei para trás e para a frente e a regar árvores (é o descalabro andar a regar em Fevereiro). O Sr. Resende apareceu outra vez com as vacas e apanhou mais 8kg de laranjas.
No fim ainda cavei uns buracos e já de noite fiz uma fogueira. Saí já passava das 20h, para jantar na sede da Associação. E mais uma vez a contradição de não me querer ir embora. A jornada de trabalho, a fogueira, a noite agradável (embora fria), as estrelas… tudo isso me prende por ali. O Sr. Franklim (com “m”) deu-me dois frascos de mel — queria pagar, mas não foi possível.


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