O rescaldo
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Voltei finalmente ao Sargaçal, para ver exactamente o que se passou. Manhã de chuva, fria e desagradável. O cenário estava perfeito para a minha disposição. Olhei de cá de baixo da estrada e não pareceu ter ardido muito. Quando subi, o cheiro a queimado dominou imediatamente o ambiente e as árvores ao vento, faziam um ruído seco digno de um filme do Tim Burton.
Relativamente ao Sargaçal, ardeu praticamente o que eu calculei pela descrição. uns 1500m2 no mínimo. Não é muito dirão. Na frieza dos números não é. Estando lá no local, custa a crer como não ardeu mais. Para Norte, só posso classificar como milagre de S. João, porque o fogo parou no local mais improvável, extremamente arborizado e com um terreno vizinho que é um barril de pólvora já aqui mencionado. Esta acho que fico a dever ao Cláudio, que andou para lá para cima e para baixo com a máquina de sulfatar a mandar jactos de água com alta pressão.
As duas únicas surpresas negativas foram as laranjeiras grandes bastante chamuscada e este castanheiro da fotografia, que eu tinha grande esperança que sobrevivesse, totalmente queimado, até à última folha lá em cima. Era um castanheiro perfeito. Daqui a 30 ou 40 anos, tenho outro igual. E sobre o ser pouco, ou muito, só este já bastava para me irritar o mais possível. A erva daqui a uns meses já está viçosa, os matos e arbustos também, mas esta árvore era insubstituível.
Mas a parte realmente negativa e que me surpreendeu, foi a quantidade de terreno que ardeu para baixo. Muito mais do que dá a entender da estrada, de onde se vê uma mancha castanha e aqui e ali, umas árvores totalmente queimadas no meio do verde, porque muitas das árvores conseguiram manter a copa intacta. Estando no terreno o cenário é diferente. Devem ter ardido no mínimo 2-3 hectares. Pelo menos seis proprietários foram afectados. Consigo ver do terreno um palheiro em ruínas, pertencente ao avô do Cláudio. Até lá foi tudo razo.
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