Nem quero pensar nisso
Um dia destes fui lanchar com um amigo que não via há mais de 10 anos. Por incrível que pareça, encontrei-o na internet. O nome pareceu-me familiar nos comentários de um blog e resolvi contactá-lo.
Como devem imaginar, havia uma quantidade razoável de conversa para pôr em dia. Claro que esta minha nova vertente de lavrador de fim-de-semana também foi devidamente apreciada. Disse-lhe que chegamos ao ponto em que já nem sabemos o que comemos. — Nem quero pensar nisso –, foi a resposta.
Em quatro palavras foi perfeitamente delimitada a atitude geral da humanidade relativamente ao Universo. Da nossa rua às estrelas distantes, o melhor é não se pensar em nada e muito menos fazer. Também eu sofro desse mal, que tento combater diariamente. Mas não é para os fracos de espírito, quanto mais se pensa, mais infeliz se é.
Por isso se inventou o entretenimento escapista. Uma indústria de milhares de milhões, da bola às consolas de jogos, do Harry Potter à informação, da Britney Spears à política, do “car audio & tunning” aos concursos televisivos … O alinhamento geral? Pelo mínimo denominador comum.

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