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28 de Junho de 2006

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Credibilidade

Gostava de ler um texto meu onde eu diga que não há aquecimento global.

Quem o clama é o grande caçador de gambozinos da blogosfera.
No “blog de referência”, é nestas alturas que a caducidade dos comentários ao fim de quatro meses, dá jeito. Podemos sempre ir ao “Mitos Climáticos” ou “Junk Science”, “recomendados” ufanamente pelo autor, ler as novidades nesse campo (o segundo é mais fonte de inspiração do que de recomendação).
No primeiro, na diagonal, pode-se ler que é tudo uma negociata, até o “buraco de ozono” foi uma luta entre fabricantes de aparelhos de refrigeração — poluir e destruir o ambiente, pelo contrário, é um desígnio divino. Quem andar muito fora disto é charlatão.
No Junk Science até tem um “termómetro global” como meio de prova que o aquecimento global não existe. E numa outra nota, anunciam a primeira t-shirt “pró-DDT” — uma “weapon of mass survival”, “contra a malária”. Encontraram novos financiadores.
Parece então que a polémica se irá concentrar entre a influência do Homem nas alterações climáticas e a influência dessas alterações em fenómenos extremos como os furacões, especialmente os que atingem os EUA. Vamos ver como evolui a opinião dos caçadores de gambozinos (há vários), sobre estas duas controvérsias.
PS: E como no Junk Science se descobrem sempre pérolas de sabedoria sem igual (haja tempo), há uns vídeos intitulados “The Greening of Planet Earth: The Effects of Carbon Dioxide on the Biosphere“; no segundo perguntam se o CO2 será um poluente ou um extraordinariamente eficaz fertilizante aéreo.
Os caçadores de gambozinos já comparam Al Gore a Hitler(?!), mas as atoardas do CO2, nunca chegam às “referências”. Por alguma razão devem andar desesperados a lei de Godwin verificou-se bem cedo.


12 Comentários

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Lowlander
29 de Junho 2006 / 11:31

Vara longa com esses caes tinhosos jrf, vara longa! Olhe, comigo ha umas semanas atras uma porcaria de uma polemica qualquer sobre as condicoes laborais na China foi a gota de agua. Nem sequer disseram mais atoardas que o habitual, nao sei, simplesmente atingi o limite da paciencia. Nao volto la mais.


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José Rui Fernandes
29 de Junho 2006 / 13:49

Tenha calma Lowlander, um dia volta lá e vai ver que é recebido de braços abertos. :)
Essa da China não li, só reparei que a Gabriela teve direito a destaque.
Se não fosse o caçador de gambozinos, o pasquim até seria digerível. A das pensões para os anti-fássistas está com piada e razão — ei, não quero puxar o assunto, é só um exemplo recente.


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Gabriela
30 de Junho 2006 / 07:09

Que dispensava, meu caro jrf. Tenho um certo brio nas minhas companhias.

Uns 150 anos após se começar a abolir a escravatura, no ano de 2006 a escravatura é justificada por razoes macro-economicas e mais vale algum que nada. Alem de na China o pessoal ser antes pobre, mas nao estar a morrer de fome nao interessa nada. Alem da China ser um paraiso para as multinacionais exactamente porque nao é um estado livre tambem pouco interessa. É somente um caso de injeccao de capital.

Vou parar que já me estou a enervar outra vez.

Nunca pensei no CO2 como um poluente. O homem está a provocar modificaçoes nos balanços de massa entre reservatórios e a forçar equilíbrios. Associo poluiçao com perigo para a saude, para a ecologia, para o ambiente. O CO2 leva a esses perigos, mas de uma forma muito indirecta. Nao sei. Deixaste-me confusa.


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José Rui Fernandes
30 de Junho 2006 / 15:09

Relativamente à China (em geral), se calhar ainda vou fazer um texto. Não concordo com eles, nem contigo — ou melhor, acho que a tua opinião é boa na esfera das intenções.

O CO2 é um poluente claro — e de forma muito directa. Não é se conseguirmos distorcer o suficiente o facto de existir na natureza naturalmente e ser inclusivamente necessário, tal como todos os outros químicos são necessários. E vice-versa.
Somos feitos de água, mas se a água for suficiente para eu me afogar, posso argumentar que é poluente, ou pelo menos muito prejudicial. E não interessa se tenho razão, interessa é empatar.

O que os desinformadores profissionais fazem é jogar com estes conceitos para existir pelo menos uma dúvida razoável suficiente para o “business as usual”, continuar “as usual”.


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Gabriela
30 de Junho 2006 / 15:28

jrf,

ainda que o CO2 passasse para o dobro de hoje a nossa saude nao seria afectada por o respirarmos. As moleculas actuam em diferentes escalas, em diferentes dimensoes. Eu nao estou a dizer que o CO2 nao é importante, mas que quando penso em poluiçao é numa esfera em que o CO2 nao é perigo. Temos de saber matizar. Eu nao digo que estás mal, mas que atendendo à minha noçao de poluiçao, o CO2 nao é um poluente. :-) Mas ensina-me e escreve sobre a China. Vamos ter um tete-a-tete…


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José Rui Fernandes
30 de Junho 2006 / 15:41

Mas tu pensas em termos “macro” demais para mim.
É como o aquecimento global — é global, mas as mudanças climáticas são e serão essencialmente locais (a menos que algo catastrófico realmente aconteça, como no filme) — existindo inclusivamente argumentos que certos locais vão melhorar muito a qualidade de vida (nem contesto).
O CO2 e tantas outras substâncias, são perfeitamente manuseáveis até as concentrações provarem o contrário. Os cancros, problemas respiratórios, alergias… nas cidades, devem-se à concentração de uma série de poluentes que globalmente poderão significar pouco.
Mas entendo o que dizes, é facto. Mesmo assim, prefiro que o CO2 seja produzido por um vulcão, do que pelo meu carro.


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Gabriela
06 de Julho 2006 / 16:29

Mas eu nao estou a falar macro. Eu até hei-de ver qual é a concentração necessária para que o CO2 te sufoque, ok? Mas tenho a certeza que teria de te fechar num quarto e o que te ia matar nao seria o muito CO2, mas o pouco O2.


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José Rui Fernandes
06 de Julho 2006 / 19:17

Estou totalmente admirado. Os únicos que têm dúvidas sobre o estatuto poluente do CO2 são os senhores da administração Bush e a miríade de sites de pseudo-ciência e desinformação que gravitam à sua volta e que já foram bastante consultados para a argumentação do aquecimento global.

Na Wikipedia, que é a minha noção, mas aproveito a frase feita:
Air pollution is a broad term applied to any chemical, physical (e.g. particulate matter), or biological agent that modifies the natural characteristics of the atmosphere.”

Pela tua ordem de ideias nada é poluente, segundo a Lei de Lavoisier, nada se cria…


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Gabriela
07 de Julho 2006 / 12:15

Poluente para mim é algo contrário à vida. O CO2 nao é directamente impeditivo de vida. É só isto que digo. Não ponho em causa e sabes bem que não, que o CO2 é um químico que afecta o sistema climático e que essas alteracões devem pôr-nos a pensar. Por nós e pelos outros seres vivos. Nao pela atmosfera. Já existiu mais CO2 na atmosfera e que eu saiba continuava a ser uma atmosfera perfeitamente natural.


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José Rui Fernandes
07 de Julho 2006 / 14:14

É o que digo, nada é poluente. A atmosfera é uma coisa muito grande e durante muito tempo julgou-se que tudo se diluía no tamanho…
Eu agora não posso estar a abrir a frente do “CO2 fonte de vida” ou “poderoso fertilizante aéreo”, mas sempre julguei que o CO2 era causa de cancro, problemas respiratórios, alergias… não devido a existir mais ou menos na atmosfera com referência à criação da Terra, mas devido às elevadas concentrações em determinados locais. E quem diz CO2, diz outros poluentes.
E há fontes naturais desses poluentes. Uma das mais caras aos “blasfemos” e “insurgentes” são os vulcões. O gado também produz metano e assim por diante… O próprio petróleo é algo natural e quando por causas naturais chega à superfície, polui.
O que sai do escape dos automóveis é poluente ou não é poluente? As pessoas não caem propriamente para o lado à passagem dos carros.


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Gabriela
10 de Julho 2006 / 19:10

Não acredito que o meu comentário não saiu! {suspiro}

Eu refaço-o, mas agora não tenho tempo. Por agora digo-te: estás a ser maniqueista. Não é necessário pintar o CO2 de poluente (horror dos horrores) para que haja a percepção de que intervir massivamente no seu ciclo seja mau para a vida. É devido a esta mania de usar adjectivos assustadores que se acaba por perder o fulcro da questão. Simplifica-se tudo a palavras-choque e depois tem-se os insurgentes e blasfemos a usar este simplismo para defraudar o real problema. {suspiro triplo}


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José Rui Fernandes
11 de Julho 2006 / 00:58

Estamos de acordo que o excesso de linguagem é contraproducente, aliás já por aqui disse isso referindo-me ao aquecimento global. Mas é o jornalismo que há.
Não acho que chamar poluente ao CO2 seja excesso de linguagem. O ciclo do carbono na Terra está completamente adulterado. Ao CO2, não resta alternativa a poluir.


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