Parece-me que há um equívoco na Quinta do Sargaçal. O “assunto” das “alterações climáticas” ou “aquecimento “Global”" não deveriam ser tratados no domínio desta ou daquela posição, desta ou daquela vertente política, ou se fulano é arrogante ou não. O assunto deveria estar só no âmbito científico, pois fora dele a discussão é ridícula e sem validade alguma. Ninguém é mais ambientalista do que eu e, contudo, apesar de hoje em dia dar muito financiamento, a teoria da desgraceira e da catástrofe comigo não colhe. Basta observar com atenção, por exemplo, como tem evoluído o discurso do projecto SIAM desde o seu início até agora.
De facto a memória climática e meteorológica é muito curta ou até inexistente. Os disparates ditos pela populaça, jornalistas incluídos, são grandes. Vejamos alguns exemplos:
a) ano quente, ano frio – toda a gente se lembrará do verão quente de 2003 fértil em incêndios florestais. É o aquecimento global!!!! Ninguém se lembrou que o Verão anterior (2002) foi dos mais frios do século;
b) ano seco, ano húmido – Nos anos secos vem a desgraça da desertificação. Nos anos húmidos são os extremos climáticos que têm tendência a acentuar-se. Em que ficamos? Terá a desertificação somente causas climáticas? Não me parce..;
c) as tendências (de temperatura, de precipitação) não existem. O sistema climático não “funciona” desta forma. Nada aumenta ou diminui indefinadamente. Há sempre mecanismos de compensação que são geradores de oscilações de baixa frequência que quando analisadas em períodos restritos (ás vezes de 100 anos) são confundidos com tendências. São antes ramos ascendentes ou descendentes de oscilações que existem já há milhares de anos. Os anos secos e húmidos, em particular no Sul de Portugal, estão relacionados com a variablidade quase-decenal da Oscilação do Atlântico Norte. Portanto, no futuro, continuaremos a ter a sucessão “normal” de anos secos e anos húmidos;
d) A mentira do aquecimento global só serve para desresponsabilizar políticos da má gestão do território. A desertificação, o avanço do nível do mar, por exemplo, estão relacionadas com uma gestão desastrosa do território. Se culparmos o aquecimento global por tudo isto, vão os autarcas deste país continuar a ter carta branca para construir nas dunas, para práticas agrícolas e de usodo solo nada adequadas, como por exemplo, a praga de campos de golfe que se verifica no Alentejo e no Algarve.
Dizer o que o Rui Moura diz é, hoje em dia, politicamente incorrecto. Acrescento que, do Rui Moura só lhe conheço o Blog, mas fiquei com curiosidade de lhe ler a Tese.
É muito mais bonito falar em aquecimento global e na desgraceira que se avizinha, estilo “o dia depois de amanhã” , em que até houve a coragem de repetir até à exaustão que o filme era baseado em teorias correctas!!! Foi o cúmulo da manipulação, aproveitando terioas científicas para desenvolver disparates.
Por último, Al-Gore é um político não é cientista.
Pedro Tildes Gomes
(Doutorado em climatologia)
11 Comentários