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Publicado por
Jorge Ventura

Publicado em
30 de Novembro de 2006

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Sociedade, vale do bestança

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A solidariedade da exclusão

Foi com algum desalento que os Cinfanenses receberam a notícia de que dos três projectos apresentados por outros tantos promotores do concelho de Cinfães ao denominado Programa Escolhas nenhum mereceu aprovação e financiamento por parte dos responsáveis.

Note-se, que o que visa este programa é o combate a situações reais de exclusão, falta de inserção social, combate ao insucesso formativo, auxílio aos mais carenciados. No fundo, pretende-se o desenvolvimento de acções tendentes à dignificação das condições de vida da população ou franjas populacionais mais desfavorecidas e a precisarem de apoio social.
Durante dois anos o Projecto Voar Alto, cujo principal mentor foi o Reverendo Padre Adriano Pereira, que teve no Centro Social e Paroquial de Tendais o seu veículo de concretização, desenvolveu um trabalho muito meritório e louvável dedicado aos mais desfavorecidos da população de Tendais e Alhões, privilegiando as crianças, com o financiamento do Programa Escolhas.
Esperava-se agora a continuidade no financiamento dessas acções e a eleição do novo projecto apresentado para o próximo triénio, tanto mais que até a própria Câmara Municipal de Cinfães e a Rede Social de Cinfães corroboraram o mérito do trabalho desenvolvido e a importância do seu prosseguimento agora para abranger também as freguesias de Bustelo, Ramires, Gralheira e Oliveira, além das outras duas já citadas.
Mas não, não mereceu aprovação. Assim como não mereceram aprovação os projectos apresentados pelo Agrupamento Vertical de Cinfães, em parceria com a Associação para a Defesa do Vale do Bestança, bem como o projecto delineado pelo Agrupamento Vertical de Souselo. Não foram aprovados por pura opção já que não houve qualquer reparo aos mesmos.
Em teoria, o discurso soa bem: É preciso combater a desertificação do interior, atenuar as assimetrias regionais, promover a coesão e solidariedade, proporcionar igualdade de oportunidades a todos e dignificar a condição humana.
Na prática, as verbas vão para o litoral promovendo a atlantização do povoamento, gerando mais desequilíbrios regionais que se sentem com maior premência no interior do País.
É quase incompreensível que se deixe um projecto a meio gorando-se expectativas de crianças que estavam a ser devidamente apoiadas, defraudando esperança de idosos na continuação de acções concretas que lhes promoviam qualidade de vida.
É já tão pouco o investimento do Estado no concelho de Cinfães em áreas sociais que negarem-nos ainda o financiamento para projectos em favor das pessoas e na melhoria das suas condições de vida enquanto pressuposto para a sua fixação neste concelho, se nos afigura um acto de injustiça que os poderes representativos e decisórios não podem calar.
Curiosamente, aquando da visita do anterior Presidente da República a Cinfães, o Projecto Voar Alto mereceu-lhe rasgados elogios. Estava-se então nas presidências de combate à exclusão. Agora que as presidências abertas se afirmam pelos “Roteiros para a Inclusão“, Cinfães é excluído.
Aqui fica o lamento mas também o apelo de quem se sente esquecido e a empobrecer alegremente, embora de modo injusto.

O autor é o Presidente da Direcção da Associação para a Defesa do Vale do Bestança.



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