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  • Stv: B-52's "Party Out of Bounds"

Publicado por
José Rui Fernandes

Publicado em
07 de Janeiro de 2007

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Diário do Sargaçal, Horta

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No quintal

Fava
Ontem e hoje foram os únicos dias nas duas últimas semanas, em que me senti minimamente energético. Fiquei doente pouco depois do Natal e desde aí ando mesmo fraco. Além de moribundar entre a cama e a televisão, não tenho feito quase nada. Mas deu para aproveitar para colocar a “cinematografia”, não em dia, mas mais adiantadinha. Sim, também passei o ano deitado no sofá a ver o “Transamerica” (dou quatro estrelas), não que fosse muito diferente se estivesse em forma.
Bem, aproveitei a energia que parece retornar, para passar um tempo no quintal…

…que está uma nojeira. O meu pai desespera-me (não era costume ser ao contrário?). Não faz nada no quintal, mas critica quanto baste (embora ande mais calmo nesse departamento). Andou para lá a podar ou lá que foi, mas os paus ficaram para eu apanhar. Que nervos! Hoje encontrei-o à ida para lá e perguntei se não queria vir ajudar a fazer alguma coisa — não queria, (também) anda cansado. Esta é porventura a maior desilusão desde que me dediquei um pouco à horticultura, andar e fazer tudo sempre sozinho. Lembro-me que na antiga casa, andava o meu avô no quintal, mas ao lado andava o tio, do outro lado o senhor Reis… Falavam, mostravam, partilhavam. Completamente diferente. Mas paciência, continuando…
Como já disse, não sou adepto de ir a correr apanhar folhas, mas chega a uma altura em que as folhas são muito prejudiciais num quintal plantado. Por exemplo, entre as pencas e as couves-coração há montes de folhas do diospireiro. Debaixo das folhas, lesmas e caracóis. Todo o tipo de pragas e doenças aproveita a folhada para se fortalecer.
Portanto basicamente andei a apanhar folhas e arrancar ervas daninhas. O que temos não está nada brilhante. As nabiças, pencas, couve-coração e couve-galega, tudo muito fraco. Aipo, continua bom. Muito estranho, voltei a colher pimentos. Deixei para lá dois ou três pés e voltaram a crescer uns pimentos.
Tenho esperanças nas ervilhas que nasceram há cerca de duas semanas, também nas favas, duas variedades de cada. No caso das favas, mais importante ainda, as ’super aquadulce’ (na foto) são de sementes que recolhi (a origem é a HDRA) e era muito importante para mim que fossem viáveis — e estão com bom aspecto.
Mesmo assim, gostava de assinalar o facto de depois da recolha terem sido deixadas um bocado à balda. Ao semear, tive de as escolher porque muitas estavam furadas, tanto as minhas como a variedade do meu pai (igualmente os feijões).
Entretanto ficou de noite e não posso apanhar frio, fui até um anexo a que chamo barraco. Aquilo lá dentro, nas mãos do meu pai é o caos. Arrumei um pouco, mas amanhã devo lá voltar. Há para lá dezenas de sementes, que eu, nem ninguém sabe de quê. Ainda tenho que gastar o meu limitado tempo a arrumar o barraco.



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