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José Rui Fernandes

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19 de Maio de 2007

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Diário do Sargaçal

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Renovação das laranjeiras

Laranjeira
Quinta fui até ao Sargaçal com o senhor Henrique, com o objectivo de renovar as três laranjeiras mais velhas que lá temos. O Cláudio andava por lá nas limpezas (sempre as limpezas), se bem que num local diferente do que eu tinha indicado.
Entre preparar as coisas, ferramenta, ir buscar a escada, colocar a motoserra operacional (não queria pegar)… lá se vai metade da manhã.

Laranjeira
As laranjeiras, principalmente as duas maiores, têm dois problemas — por um lado, cresceram de qualquer maneira, com ramos cruzados e sem qualquer luz ou arejamento interior. Por outro lado, o incêndio de 2005 afectou-as bastante.
Relativamente a esta poda, deve-se notar que os citrinos habitualmente respondem bem a podas fortes se necessário. Isso deve ser efectuado ao longo de mais que um ano, o que não aconteceu aqui pelas condicionantes do costume, da falta de tempo e tudo o mais. Basicamente senti que ou se fazia ou não se fazia e o senhor Henrique com os seus 26 anos de experiência disse-me que não haveria problema. Por outro lado, muitos dos ramos que sairam, mais que improdutivos, estavam completamente secos.
Como temos indicado, se forem bem conduzidos desde pequenos, os citrinos praticamente dispensam a poda.
Dito isto, as duas laranjeiras em questão ficaram com um aspecto — muito podado. O senhor Henrique diz que daqui a dois anos estarão com uma copa redonda e completa, mas para o ano praticamente não darão fruto.
Para isso, será necessária muita água este Verão e também adubo. Não há outra hipótese, mas para a horticultura biológica, ainda não encontrei uma solução com os nutrientes necessários e suficientes. Há poucas soluções e as que há, não estão à vista no mercado. Aliás, chego a duvidar que tal mercado exista.
Durante a manhã (até às 14h00) podaram-se as duas maiores e depois do almoço a restante. A lenha que sobrou da operação, mais limpeza da quelha que fui efectuando, deixou mais três enormes montes no terreno. Realmente, não há onde colocar tanta biomassa. Aliás, das limpezas do Cláudio, também já nasceram mais não sei quantos montes. Se estivesse lá instalado numa base regular, trituraria aquilo tudo sem grandes dúvidas, assim, além de queimar pouco resta.
Até ao fim do dia, além de colher laranjas e cerejas, tirou-se muitos fetos (daqueles dos bosques). Colocamos também estacas em meia-dúzia de árvores.
Ainda consertei o tubo da água que o Cláudio, com tanto terreno, conseguiu furar ao espetar um ferro no chão! É daquelas que nem tentando se conseguia.
À noite fomos jantar à associação, como de costume. E voltamos.
Cheguei a casa com uma dor de cabeça monumental e todo dorido, sinal inequívoco de uma vida de actividade física nula. Tenho de passar a ir mais vezes, mais regularmente. Como antes.


8 Comentários

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Carvalho
20 de Maio 2007 / 23:46

Votos de bom trabalho.


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Luciano
21 de Maio 2007 / 15:50

Por cá também já fiz uma poda mais radical a laranjeiras antigas e recuperaram cheias de força, aliás sem cuidados nenhuns especiais. Quanto a adubo só mesmo o da compostagem e creio ser suficiente.
Tu, com tanta matéria vegetal disponível, podias tentar fazer uma pilhas e deixar tudo a compostar, num local abrigado do Sol, para não secar demasiado. Claro que o ideal era triturar os ramos maiores – e também sei que não tens muito tempo. Aqui, quando se corta a erva, deixo sempre ficar uma cama dela à volta das árvores, com 20 ou 30 cms de altura. Mesmo que já tenham sementes, sempre ajudam a diminuir a evaporação da água e acabam por se decompor e fertilizar o solo.
Desculpa estar aqui e pregar ao frade! ;)


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José Rui Fernandes
21 de Maio 2007 / 16:04

Não, prega à vontade!
As pilhas de matéria lenhosa, andam para lá — mas não sei até que ponto se faz ideia da quantidade… Fora a que já queimei lá e trouxe para a salamandra… Toneladas!

Uma dificuldade acrescida é o transporte de tanta coisa — à força de braços é o fim do Mundo.

também sei que não tens muito tempo

Já para não falar em electricidade ou triturador a gasolina :) . Isso há-de vir com o tempo.

Relativamente a adubo e água… Água é pacífico, o adubo não sei. O senhor Henrique diz que precisam de micro-nutrientes, têm uma cor pálida que é indicador das carências. Já o Filipe (Amador da Natureza) tinha dito algo parecido. Estou indeciso — acho que este ano vou só dar-lhe com o composto Euroguano, cavando ligeiramente em volta.

Eu faço isso com a erva e fetos, mas nomalmente deixo compostar um bom bocado.


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Ducapa
21 de Maio 2007 / 19:05

Olá pessoal
Este fim de semana andei a roçar a leira dos cães, como tenho alergia vim de lá “lindo”. Mas ainda tive tempo de colher as afavas que plantei em Janeiro, que pois de limpas deu 750g, uma fartura.
O que devo fazer com os pés das favas?


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José Rui Fernandes
21 de Maio 2007 / 19:10

De facto é pouco.

Compostar, ou enterrar directamente num local de uma próxima cultura. São muito boas como fertlizante.


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Quinta do Sargaçal – Sábado no Sargaçal
01 de Setembro 2008 / 00:13

[...] com o Cláudio para a Fonte do Cavalo, queimar uma montanha de coisas. Grande parte, ainda sobra da renovação das laranjeiras grandes (a este propósito, sempre lhes dei com adubo, mas próprio para agricultura biológica, que [...]


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Manuel Pereira
18 de Agosto 2009 / 14:53

Li este vosso artigo e atrevo-me a pôr três perguntas. Não se ofendam com a minha ignorância por favor. Se me poderem ajudar o meu obrigado.
1º- Qual a altura do ano, mais correcta, para proceder à poda das laranjeiras, isto na zona centro do país, no interior, perto de Pedrógão Grande.
2º- Qual é a regra que se deve seguir, se é que há alguma, no corte dos ramos.
3º- Preciso de mudar uma laranjeira de local, para um outro a cerca de 20 metros. A laranjeira é grande e com mais de 30 anos. Pode-se fazer? se sim qual é o melhor método e a época?
Isto quase parece uma consulta online, mas se eu não estiver a proceder correctamente que me desculpem.
Desde já os meus agradecimentos.


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vitor Santos
14 de Outubro 2009 / 15:47

Viva!
Pois eu plantei 6 laranjeiras no meu quintal, durante uns tempos não deram nada que jeito tivesse. Até que me lembrei de um conselho do meu pai “quando o terreno é barrento, há que juntar ferro velho á cova da plantia”.
Assim fiz, fui pondo á volta delas tudo o que arrebanhava (e arrebanho) de ferros velhos. É evidente que reforço isto com sulfato de ferro quando me lembro.
O que é certo é que tenho muito boas laranjas, uma delicia!


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