Agro-química popular

Nas nossas deambulações, passamos por um campo semeado a milho. Nesse campo, linhas de adubo às carradas. Considerando que foi um campo que levou, diz quem sabe, 30 carros (de vacas) de estrume, aquela quantidade inacreditável de adubo é um enigma. Como se o tamanho da colheita fosse proporcional à quantidade de adubo gasto. Além disso, ainda levou com uma boa dose de herbicida e eventualmente leva ainda com uma dose de um pesticida.
Ou seja, o campo (que deve ter uns 4.000m2) é lavrado com junta de vacas, estrumado à força de braços, semeado, adubado, fumigado, colhido e o milho debulhado… Deve ser o milho mais caro do Mundo.
Se juntarmos o facto de ser sobranceiro ao Ribeiro do Enxidrô e ter uma nascente no meio, de onde sai um tubo que por acaso atravessa o Sargaçal e alimenta não sei o quê… Os químicos vão do terreno directamente para os cursos de água, é terrível. Este campo, nem para o agricultor é bom, que lucraria em comprar o milho. Começo a pensar se o abandono dos campos não será positivo. Venham os transgénicos e agricultores destes nem hesitam.
Da maneira que isto vai, conseguir que utilizem as doses de químicos recomendadas pelos fabricantes, já não seria mau. A agricultura biológica está a uma eternidade de distância.

2 Responses to “Agro-química popular”

  1. Luciano

    A agricultura continua a ser uma das principais actividades humanas com maior impacto ambiental. Deflorestação, perda de solos, poluição e drenagem dos aquíferos…
    A única vantagem de termos os agricultores por cá de braços cruzados é que, ao importarmos o milho, exportamos os problemas. Claro que, à medida que vamos conhecendo melhor a forma global como se repercutem as nossas acções, menos convencidos ficamos destas ‘vantagens’. Que o digam os Inuit, que nunca foram agricultores e que, mesmo assim, se vêem actualmente a braços com níveis de DDT (ainda!) no leite materno de tal ordem que o tornam, segundo os nossos critérios de qualidade alimentar, como resíduo tóxico.

  2. José Rui Fernandes

    Isso também é verdade. Ainda ontem vi naquele programa sobre Portugal (do António Barreto?) que em termos agrícolas só produzimos 1/5 do que comemos. Nas pescas onde já fomos auto-suficientes, importamos 2/3.

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