“São fracas. Mas neste caso OCDE. Em 2003 (serve?) Portugal investiu 5,9% do PIB (0,1% privado), a Irlanda 4,4% do PIB.”
Pois… 2003. E os outros 30 anos? Parece-me que n~ºao tomou muita atenção aos dados que me dei ao trabalho de deixar anteriormente relativamente`à Irlanda. Não vou perder tempo a reescrever o que já escrevi de modo claro. Se não quer perceber o motivo porque Portugal, investiu mais nos últimos anos do que a Irlanda, o problema não é meu. Tem a informação de que necessita e ainda pode arranjar mais através do google.
“No estudo que mencionei. E outros. E na prática. Entra-se na faculdade sem saber escrever em português (o mínimo). Ou quase o “inverso” — um dia destes um universitário de letras a dar-me o troco de um livro que adquiri, do género 20,00€-19,95€=0,05€, puxou de máquina de calcular. Devo ter emitido algum grunhido porque me disse que matemática não era a sua área… Bem, quando uma conta destas é elevada ao estatuto de “matemática”, já não digo nada.”
Um universitário, um único. Não é quantidade suficiente para englobar uma amostra do conjunto. Aliás, esse é o tipo de discussão que não pode simplesmente ser discutida como se discute a vida do personagem de telenovela. Os alunos são uns agentes no meio de tantos outros, não podem ser apenas os únicos a ser responsabilizados. Se um aluno chega ao ensino universitário sem saber escrever minimamente na língua materna, o sistema também tem responsabilidade no problema. Um aluno que não sabe escrever minimamente na língua em que se expressou durante anos no sistema de ensino não deveria ter a possibilidade de chegar a tão elevado nível desse mesmo sistema.
“Muito difícil! É um trabalho que nunca acaba.”
Dificil é criticar com pernas, pés, cabeça e conhecimentos sólidos. Criticar com uma ou outra palavra qualquer, é muito fácil e até absolutamente desnecessário. Escrever “Os alunos são ignorantes.” é muito fácil. Escrever sobre os alunos, suas falhas, sistema de ensino, sociedade, de modo bem fundamentado e conhecedor é muito dificil.
“O peso do Estado em 1974 era 19-20% (com a guerra colonial). Hoje uns 46-47%, na mais bovina paz. 15% em 1954. Não sei de que aumento de impostos está a falar. Uma das fontes (é fraca, Pedro Arroja no Vida Económica).”
Uma das fontes…. e as outras? O peso do estado é um dado. O peso do estado por via do aumento do peso do estado social é o mesmo dado mas com acréscimo de elementos que ajudam a perceber o motivo do problema. Presumo que dispensasse com agrado o sistema de saúde, o distema de educação, o sistema de segurança social, etc., é que se olhar para trás, para o tempo de Salazar pouco disso vai ver. Não sabe de que aumento de impostos estava a falar? Estava a falar do aumento de impostos efectuado pelo estado a mando de Salazar com vista a acabar com o défice público que existia à data. Ou pensava que Salazar tinha acabado com o défice público com auxilio do espírito santo? Salazar era um tipo que sabia muito bem o que fazia, soube aproveitar bem aquilo que tinha e dar a volta, conseguiu ter um poder igual ao de monarcas de nivel absolutista, apesar de governar uma república e ainda hoje (quando é impensável que um político tenha grande poder) é elogiado.
“Como sabe, isso é contestado. Quanto ao modelo liberal, um Estado com 19% de peso na vida dos cidadãos é infinitamente mais liberal que um com 46%.”
É inegável que Salazar foi fortemente inspirado no modelo fascista. Tem algumas variações, decorrentes das ideias concretas de Salazar, mas, como a história foi mostrou os modelos políticos apresentam sempre variações consoante quem os colocou em prática, permanecendo algumas das linhas gerais que os ligam. Salazar impôs a sua forma de fascismo, isso é inegável. Aliás, ainda hoje a Constituição da Republica Portuguesa tem um artigo inspirado no regime de Salazar que limita a liberdade de associação, nele está contida a proibição organizações fascistas ou que perfilhem a ideologia fascista (art. 46.º, n.º 4 da CRP).
“Já cá faltava a censura e a PIDE, tudo porque eu disse que não vejo nenhuma viabilidade para o país, tal como se apresenta. Obviamente, as nacionalizações em nada influenciaram o estado do país — aliás não havia nada para nacionalizar, só agricultura de subsistência. Esses livros que lê (já agora, quais são?) dão uma imagem do país exacta, disso não tenho dúvida.”
Claro, se os defendores de Salazar se apoiam na eliminação do défice, os opositores não podem deixar de referir a censura, um dos elementos mais relevantes das políticas de Salazar que, mostra bem até onde foi a esperteza daquele político, para garantir os seus fins. Não percebo a que propósito se refere a nacionalizações, até agora não as tinha referido, à excepção do caso semelhante ao do BCP, ocorrido recentemente. Mas se quer saber, as nacionalizações influenciam bastante a economia, que por sua vez, influencia bastante o estado do país, talvez deva consultar uns livros sobre economia, lá está tudo explicado, desde ineficiências a burocracia, a falhas de eficiência, etc. O estado deve interferir o menos possível na economia, é sabido. Havia mais do que agricultura da subsistência, havia indústria e serviços (a título de exemplo, por Salazar foi nacionalizada a companhia Telefones de Lisboa e do Porto).
Actualmente, os livros que leio não interessam muito para a discussão, já referi que o tempo não é muito, a leitura é com fins profissionais ou lúdicos. Portanto, o que li de história foi há uns anos atrás, como tal, é impossível ainda saber o nome dos livros que li sobre o assunto, de entre tantos que leio todos os anos, ficam as memórias dos livros que começam com “história de…” e “estado novo…” e os mais desconhecidos manuais de Direito Constitucional dos conhecidos constitucionalistas J.J.G. Canotilho, Marcello Caetano e Jorge Miranda. Até porque, a maioria dos livros especificamente sobre Salazar são de produção recente.
Aliás, ainda bem que falou em bibliografia porque, assim fui ao manual de Direito Constitucional de Canotilho confirmar, e aí consta o seguinte:
“A nossa ditadura aproxima-se, evidentemente, da ditadura fascista pelo reforço da autoridade, guerra declarada a certos princípios da democracia, pelo seu carácter nacional, pela sua preocupação de ordem nacional. Afasta-se dela, contudo, pelos processos de renovação. (…)” – Oliveira Salazar
“Só é pena que em termos relativos de atraso à média europeia, em 2005, voltamos aos níveis de 74. E apenas subimos ligeiramente nos tempos de Cavaco Silva. Hoje devemos estar um ou dois pontos abaixo dos valores de 74. O INE um dia destes divulga os números de 2006.”
O tempo não pára. Os tempos mudam e as regras também. No entanto, muitos portugueses parecem esperar que o tempo não mude, que as regras não mudem e enquanto assim for, Portugal não irá mudar e consequentemente irá ficar progressivamente para trás daqueles que acolhem a mudança. Hoje, muitos portugueses vivem em economia de mercado mas continuam a criticar e pedir auxílio ao estado nos momentos de aflição, quando é deles que devem partir as soluções. É um problema de sociedade, de mentalidade, etc. O mercado precisa mais dos privados do que do estado, se portugal está tão em baixo é porque o mercado tem recebido pouco dos privados (pouco trabalho, muita aversão risco, pouco investimento, etc.). No entanto, continua a não ser impossível alcançar outros países europeus, é uma questão de mudança.
“Nunca disse o contrário.”
Há várias formas de de negar sem dizer não. Há várias formas de ser-se negativo sem recorrer a palavras negativas. Na internet, as conversas não permitem avaliar a pessoa com a qual se está a dialogar, por isso, a única maneira de perceber o que a outra pessoa quer dizer é pela interpretação do que esta terá escrito. A minha interpretação quanto à sua opinião quanto aos impostos é clara. Se está errada, tem como a contrariar, através das palavras.
“Este não é um deles. Aliás, nos moldes actuais empobrece toda a gente e em última análise é insustentável.”
Até hoje não foi criado um sistema perfeito. O estado social é o melhor sistema dos que foram criados. Os moldes são bons, a aplicação prática é que não. E muito se tem feito para a melhorar. Enquanto vai escrevendo no blog, teóricos nas suas “torres de marfim” procuram soluções para os problemas de aplicação do modelo de estado social. Não, o estado social não empobrece toda a gente e é por isso que a maioria dos países desenvolvidos ainda não desistiu dele, o estado social é a única forma de garantir os direitos sociais, sem ele as desigualdades sociais poderiam ser ainda mais severas, como já foram no passado, sem ele a pobreza poderia vir a ser bastante agravada, como acontece nos países onde o modelo de estado social não foi implementado ou está reduzido a muito pouco.
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