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José Rui Fernandes

Publicado em
08 de Março de 2008

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Contra o Mundo moderno

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A dimensão portuguesa

Tenho seguido o blogue A Sombra Verde onde o Pedro tem vindo a publicar uma série de um Portugal que odeia as árvores. Vai ter matéria para muitos e muitos anos.
De numerosas fotografias nesse blogue, noutros blogues e também com a observação que faço sem ser necessário distanciar-me muito de casa, noto que a grande maior parte dos problemas das árvores no nosso país é a falta de dimensão, não das árvores, entenda-se. Falta de dimensão das ruas e avenidas, falta de dimensão dos conhecimentos. Em Portugal, tudo insiste em ser diminuto, a começar na mentalidade de quem teve e tem responsabilidades ao nível do planeamento urbano.
Se observarem, facilmente concluem que as ruas portuguesas não têm dimensão, espaço aberto, planeamento, para comportar as árvores que se plantam. A grande maior parte das árvores, estão condenadas desde o primeiro dia.

Não estou a falar dos centros históricos e de ruas centenárias adequadas à época. Falo de ruas abertas ontem e a ser abertas hoje, toda a gente tem exemplos à porta de casa. Veja-se a propósito, o planeamento das ruas nos EUA no blogue A Barriga de Um Arquitecto.
Mas nestas ruelas que atravessam as urbanizações de todo o tipo que devassam o país de Norte a Sul, acrescentam-se árvores de grande porte, que atingem copas de 20, 25 ou 30 metros — e idêntica altura! As razões para as plantar, como tantas outras coisas, devem estar no fim da trilha do dinheiro. Sigam o dinheiro e encontram as razões. Temos a dimensão das ruas, temos a dimensão das árvores, é conhecimento básico que deve estar na posse de quem planeia e manda executar as plantações e posteriores podas mutiladoras, ou mesmo abate dos exemplares, passados uns meros cinco ou dez anos.
Mas nas cidades dos automóveis, com ruas sem dimensão sequer para os suportar, a alternativa não é plantar árvores menores. Essas não resistem aos automobilistas portugueses e toda a casta de vândalos que circulam nos passeios. Cerejeiras ou Lagerstroemias que conheço nas ruas, estão num estado que clama pela sua remoção imediata, para terminar com a agonia. Mesmo árvores de grande porte, têm sorte quando passam os primeiros anos. Ainda há pouco tempo, assisti a um bronco a partir um carvalho já de dimensão considerável com uma “caixa-aberta” na Rua de 5 de Outubro, em frente à Casa da Música, no Porto. Não admira que a média de idades das árvores desta cidade ronde os 20 anos (Dias Com Árvores). Uma vergonha, tendo o Porto tantas centenas de anos e por onde passaram tão ilustres horticultores, como José Marques Loureiro.
Ontem resolvi dar uma volta a pé pelos arredores da minha casa, armado em “repórter fotográfico”. Julgo que por onde passei, os maus exemplos são todos de particulares. Um dos bons exemplos é uma autêntica aberração nacional, “A Árvore Grossa”, que resistiu a tudo. Ainda me falta tirar mais três ou quatro fotografias, que publicarei também nos próximos dias.


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Arrancar ervas daninhas em Março Um quase bom exemplo




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