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José Rui Fernandes

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15 de Março de 2008

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Diário do Sargaçal

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Fim da época de plantação de árvores

Euphorbia
Fui pela quarta vez consecutiva à Quinta-feira (início deveras literário). Para mim, terminou a época de plantação de árvores. Considerando as características do terreno e a pouca proximidade, não vale a pena plantar mais árvores se é para não se desenvolverem, agonizarem ou mesmo morrerem. Só tenho pena de ter levado oito e dessas, seis terem regressado. Pelo menos o ar dentro do jipe ficou bastante purificado.

Quando chegamos (o meu pai também foi uma vez mais) andava para lá quase um rebanho… Era o gado do Cláudio. Não demorou muito até descobrir árvores plantadas a semana passada, já com princípios de arruinamento. Esclareci com ele que quando fosse almoçar levaria o gado e era isso, l-e-v-a-r-i-a. Para ficar, com características permanentes. Não quero lá gado. Querem ter gado, que tenham terrenos para os alimentar.
À uma e pouco foi almoçar. Não houve nenhuma altercação por causa do gado, estava tudo correcto. O facto é que já não voltou. Uma pessoa nunca sabe muito bem o que se passa, há sempre desgraças a decorrer, mais vale não pensar em nada. O facto é que me adulterou completamente os planos. Só plantei um Cedro-da-califórnia, um Abacateiro e três Fatsia japonica (arbustos de sombra que tinha reproduzido por aqui). As mais difíceis, na ponta mais longínqua do terreno, ficaram por plantar.
Consegui fertilizar (com adubo para agricultura biológica) 21 árvores de fruto e queimar mais uma quantidade inacreditável de entulho vegetal com anos. Acaba por ser um bom sinal, ter tempo para queimar coisas que até aqui não foi possível. Neste caso, no largo, onde já antes queimei toneladas e toneladas. Desta vez também e mesmo assim não foi possível terminar. É pena porque também está a acabar a época de queimar com segurança mínima.

Fogueira
Ficamos até pouco depois das oito (os vultos à esquerda somos nós). O meu pai bem mais calmo que o costume — não gosta de ficar até muito tarde e ainda menos até depois de escurecer. Estes continuam a ser os melhores momentos. Completamente cansado, estrelas, fogueira…


9 Comentários

Comentado por
Manuel Resende
15 de Março 2008 / 16:13

Mas queimar porquê?

Porque não arranja um triturador e espalha o resultado na terra? Vai ver que não se arrepende.

manel


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José Rui Fernandes
15 de Março 2008 / 16:21

Porque não tenho onde guardar nada no Sargaçal. Isso será no futuro.
Na Senhora da Hora tenho um triturador e faço isso.

Ainda considerei amontoar para apodrecer, mas passados quatro anos, o mais grosso ficou na mesma.

Eu instalado por lá não desperdiço nada. Isto que tenho queimado dá para estilhaçar e alimentar uma caldeira por exemplo.


Comentado por
Manuel Resende
15 de Março 2008 / 19:35

Pois é, pois é. Não ter onde guardar é um problema. Está perdoado;)

Tenho problemas parecidos.

manel


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Joao D
17 de Março 2008 / 18:21

Boa tarde!

Será que me pode ajudar? Plantei um quercus rubra na arrábida em final de Outubro, as folhas estavam a acabar de cair.

Jà tem feito algum calor e não há maneira de ele lançar as novas folhas e mostrar se está vivo…

Em contrapartida, um carvalho portugues, com 15 anos, que tb lá está, perdeu as ultimas folhas há sensivelmente um mês e já está cobertura da nova folhagem…

Estou preocupado. Há alguma coisa a fazer? ou será que estou ansioso em demasia e devo esperar mais tempo?

Obg e parabens pelo blog!


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José Rui Fernandes
17 de Março 2008 / 19:18

Caro João, acho que está ansioso. Os Quercus rubra que tenho por aqui também ainda não têm folhas novas.
Mas se estiver vivo mantém o tronco com ar saudável e os ramos flexíveis — se quebram é mau sinal, isto é, está morto. Os gomos dos novos rebentos devem estar presentes e com ar saudável.


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Joao D
17 de Março 2008 / 19:27

Estou claramente ansioso…os ramos estão bonitos, avermelhados e flexiveis, e os gomos, apesar de já lá estarem há bastante tempo, também têm pinta de estar saudaveis.

É que é sempre um investimento emocional quando se planta uma árvore…emocional e fisico! que bem parti as costas e os braços a cavar naquele solo argiloso…

Já agora, sabe-me dizer que árvores grandes se podem adaptar a um solo pesado e argiloso?

Obrigado!


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José Rui Fernandes
17 de Março 2008 / 19:59

Assim de repente não sei — o melhor é fazer ao contrário –, decidir quais as árvores que mais gostaria e investigar se são boas para o local.
Digo-lhe, mais vale investigar mesmo. Uma árvore feliz num local desenvolve-se bem, rapidamente e muito saudável. Uma árvore pouco apropriada, só dá trabalho e as compensações são poucas ou só a troco de muito trabalho.


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Miguel
18 de Março 2008 / 12:10

Bom dia,

Sr. João, eu aconselhava a plantação da Betula Celtiberica, visto que é uma espécie que resiste muito ao frio e ao vento e quanto à natureza do solo é bastante plástica. No entanto, é exigente em humidade.


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José Rui Fernandes
18 de Março 2008 / 16:01

Eu plantei umas 80 Betula celtiberica e vingaram maravilhosamente quase todas. Só tinham uns 30cm. Mas o solo é ácido.


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