Destaques

  • Stv: Biodiesel

Publicado por
José Rui Fernandes

Publicado em
15 de Maio de 2008

Arquivo
Pragas e doenças

Tags
, , , ,

Os problemas dos citrinos do quintal

Cochonilhas e Mosca-brancaComo disse, depois de contactar a Garden Organic (HDRA) fiquei bastante desiludido. Apesar de prestáveis (também faz parte dos direitos dos associados, obter resposta a estas questões), esperava outra capacidade técnica, mesmo tratando-se de pragas que não farão grandes aparições no Reino Unido.
Acontece que também sou membro da Royal Horticulture Society (RHS) e perante a incapacidade da Garden Organic, contactei-os com as mesmas questões.
A resposta chegou no dia seguinte através do senhor Andrew Halstead, entomologista principal da RHS.

Os citrinos estão atacados por vários tipos de pestes. As folhas com uma espécie de algodão branco e um líquido que parece cera, estão provavelmente infestadas pela Mosca-branca lanígera dos citrinos1. Os adultos são pequenos insectos de asas brancas que se enconteam habitualmente debaixo das folhas mais novas. As ninfas imaturas parecem cochonilhas, mas estão cobertas por uma espécie de algodão branco, fazendo com que as folhas infectadas pareçam infectadas por um fungo. Excrementos de Mosca-branca e outros insectos sugadores de seivaOs glóbulos peganhentos são excrementos açucarados produzidos pela mosca-branca e outros tipos de insectos sugadores de seiva.
Uma outra peste presente são cochonilhas (Planococcus citri). Pequenos insectos cinzento claro que infestam habitualmente as partes relativamente mais inacessíveis da planta, como as axilas das folhas (na primeira fotografia podem ser observados nas próprias laranjas). As cochonilhas também segregam uma substância branca em volta do corpo e podem produzir também os excrementos adocicados.
Estrago produzido pela Traça-mineira dos citrinos e uma joaninhaO pequeno insecto preto que se vê na fotografia é provavelmente uma espécie de joaninha, predador tanto das cochonilhas, como da mosca-branca.
Por fim, a terceira praga são as lagartas mineiras de uma traça específica dos citrinos e que se estabeleceu na Europa há cerca de 15 anos apenas. As diminutas traças adultas depositam os ovos na folhagem e depois de eclodirem, as lagartas penetram nas folhas, produzindo túneis sinuosos enquanto se alimentam. Isto causa uma descoloração prateada na parte superior das folhas afectadas, nos locais onde os tecidos internos foram comidos.
Estrago produzido pela Traça-mineira dos citrinosA solução biológica pode ser a que tenho usado que é Savona (óleo e sabão, mas numa solução pré-preparada). De qualquer modo o senhor Halstead confirma algo que descobri entretanto: Os óleos hortícolas têm muito pouca permanência e sendo insecticidas de contacto têm de ser utilizados de forma abundante e frequente.
As larvas mineiras são muito mais difíceis de controlar porque não só produzem várias gerações durante o Verão, como as lagartas estão escondidas de um insecticida de contacto, como o Savona. A minha sugestão é arrancar as folhas mal o problema seja detectado e queimá-las.
Muito interessante a informação que no Reino Unido os únicos insecticidas autorizados para os citrinos são os biológicos como o Savona.

1 A tradução está basicamente literal, não sei se em português o nome será este.



8 Comentários

Comentado por
jardineira aprendiz
15 de Maio 2008 / 09:04

Estes dias ando mesmo sem tempo nenhum, (nem sequer devia estar a espreitar blogs) por isso não posso fazer um comment. muito grande, mas não haverá por aí desequilíbrios nutricionais? Vários problemas juntos podem ser sinal de um desequílíbrio ecológico na fauna auxiliar, mas também uma susceptibilidade anormal da planta, parece-me que poderá ser o caso.

Penso que há possibilidades de luta biológica, no caso de não haver auxiliares presentes, mas só posso ver isso lá para o fim de semana (vou ver se me lembro)


Comentado por
José Rui Fernandes
15 de Maio 2008 / 15:15

nem sequer devia estar a espreitar blogs

E eu nem devia escrever, mas não posso desiludir o meu público :) .

Ora bem, esta situação é do ano passado. Ando a tratar agora como prevenção para não acontecer o mesmo este ano. Também são plantas diferentes e agora já não consigo recordar com certeza o que se passava em cada.

Não sei que diga sobre os nutrientes, no solo. É possível que exista aí um problema.

Este ano e para já, todas as árvores se apresentam com muito melhor aspecto. Foram tratadas com calda bordalesa, que apesar de não ser directamente para estes problemas, faz milagres.


Comentado por
adelia
19 de Maio 2008 / 18:04

um dia destes fui supreendida com um segredo.a minha colega de escola disse que para afastar as formigas das horquideas,pulveriza-as com água e leite,porque as formigas gostam de doce e como o leite depois azeda…lembrei-me que podia ser uma soluçao quando diz que os citrinos apresentam globulos vermelhos que sao os excrementos açucarados… porque nao usar a agua com leite.


Comentado por
José Rui Fernandes
19 de Maio 2008 / 18:22

Não conhecia esse truque. Mas neste caso, as formigas são um efeito, não a causa. O que nós queremos é afastar os afídios e sem afídios, não há formigas.

Numa outra nota, o leite com águra pode ser utilizado para fazer o musgo desenvolver mais depressa nas pedras.


Comentado por
jardineira aprendiz
22 de Maio 2008 / 18:00

Finalmente consegui voltar. Mas não consegui trazer o que pretendia. No meu manual de agricultura biológica vem referidos alguns produtos comerciais de parasitóides, mas apenas para moscas mineiras do género Liriomyza, que não é a dos citrinos. De qualquer forma, se voltar a acontecer pode tentar perguntar às empresas que comercializam estes produtos, o manual que tenho refere a Biosani e a Eibol, mas sei que já há por aí outras empresas que comercializam auxiliares. O problema mais frequente é que há muito poucos produtos homologados em Portugal, porque o mercado reduzido não justifica a trabalheira que é a homologação.

Ficam as alternativas de tentar aumentar a resistência da planta, e aumentar o controlo natural. Se calhar devia ir por aí, porque se no ano passado teve mineiras e este ano afídeos (ainda não li com atenção o post seguinte) pode haver por aí desequilíbrios que passem por prevenção ao nível do solo e da biodiversidade local. E isto tem muito que se lhe diga!


Comentado por
José Rui Fernandes
22 de Maio 2008 / 18:55

Esta situação é do ano passado e as fotografias de Outubro se não me engano — ou seja, fim do Verão e auge do problema.
Publiquei também para me lembrar da questão e tentar evitá-lo este ano. De qualquer modo, para já todas estas árvores se encontram com bastante bom aspecto.

Os afídios aqui são aos montes em qualquer planta e cada qual com a sua variedade. Este ano com a chuva constante, ainda não foi possível atacar com Savona.

Não sei que diga quanto ao solo e desiquilíbrios. No geral, as árvores têm muito bom desenvolvimento e o crescimento vegetativo em cada época é excelente.

Têm é muitas pragas. Obrigado pelas sugestões.


Comentado por
João Afonso
07 de Julho 2008 / 18:16

É interessantíssimo este blog, pelas experiencias que poderemos trocar.

Gostava de colocar aqui em análise a utilização do enxofre.
Li, em revistas antigas, que a aplicação do enxofre faz milagres no combate aos afidios e outros parasitas. Esta aplicação far-se-ia por enxofradeira, ou então, colocando enxofre a arder por debaixo das árvores, actuando o fumo libertado como insecticida.

Gostaria de saber se alguém tem experiencia com a aplicação este produto.


Comentado por
José Rui Fernandes
07 de Julho 2008 / 18:43

Nunca li… Basicamente o que sei é que a calda bordalesa (sulfato de cobre e cal) é contra fungos (designadamente o míldio); quando se junta enxofre, ataca-se o oídio.
Mas observei que plantas tratadas são menos atacadas por afídios devido à película que a calda deixa nas folhas. A calda em si não os mata, mas acaba por repelir.

O enxofre a arder debaixo das árvores é uma péssima ideia porque vai prejudicar, e muito, os pássaros que nelas se abriguem (até ouço dizer que era uma forma maldosa e destrutiva de caçar pássaros).


Comentar este texto



Chelsea Flower Show 2008 + Exactamente o que precisavamos: Outro afídio




Voltar à primeira página Voltar ao topo