Eu diria que Portugal vive acima das suas possibilidades há pelo menos dez anos. Masd foi o boom das taxas baixas em 1999 que nos arrasou, no delírio das taxas baixas foi um nunca mais acabar de vender e construir habitação. Mas não era uma situação sustentável porque simplesmente não se baseava em crescimento real mas apenas na taxas baixas. O que ninguém lhes explicou - e o que também ninguém quis ouvir - é que a seguir a um ciclo de descida vem um ciclo de subida, são os ciclos económicos tão bem documentados. Depois de historicamente baixa a taxa tinha que obrigatóriamente de subir, quanto mais não seja para controlar a inflação mas também porque um maior número de pessoas a recorrer a crédito encarece o dinheiro porque este não é infinito e portanto se há menos liquidez o dinheiro fica mais caro.
Mas foi um fartote, foram aquisições de viaturas como nunca se viu, o negócio imobiliário floresceu, a decoração idem. No primeiro trimestre de 1999 venderam-se tantos carros como no ano todo de 1998 e isto diz muito sobre o que se passou mas existe uma pergunta recorrente e que era interessante ver respondida: onde foi parar toda essa riqueza? A lado nenhum porque foi ilusória, hoje grande parte das lojas de decoração do Porto ou já fecharam ou estão a caminho da falência, o negócio imobiliário é o que é, há mais oferta que procura, e o restante país está na mesma situação. Vivemos hoje a prazo sempre na expectativa que as taxas não subam porque hoje a poupança quase não existe e mesmo que os depósitos a prazo atinjam 10% isso pouco interessará ao português médio que vive com os tostões contados até ao final do mês.
Não se criou uma verdadeira literacia finaceira nos portugueses e isso paga-se hoje no endividamento das familias e, sobretudo, no endividamento do país para financiar essas familias. Quem comprou desenfreadamente e recorreu a crédito hoje vive a prazo.
Pergunto onde andava o mercado de arrendamento e os políticos que ’subsidiaram’ a politica do betão, porque cá resolvem-se as crises atirando dinheiro para cima do betão. Tgv e novo aeroporto são mais uns remendos para tapar a crise que teima não nos largar e que continuará a não nos largar se continuarmos a insistir nos mesmos erros. Educação, cultura e boas empresas é o que nos faz falta.
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