Inversamente proporcional
Enquanto o Mundo se deleitava com as eleições nos EUA, estive a ler “Pensar Como Uma Montanha” de Aldo Leopold (“A Sandy County Almanac” no original de 1949). “Pensar Como Uma Montanha” é uma expressão do próprio Leopold, que eu já conhecia de uma banda desenhada — “Concrete: Thinking Like a Mountain” de Paul Chadwick. Este é um dos livros importantes do movimento conservacionista norte-americano e foi agora dado à estampa em Portugal pelas Edições Sempre Em Pé (das quais já tinha lido o “Ecologia Profunda), numa edição que me parece muito cuidada.
A palhaçada mediática de volta das eleições americanas, permitiu-me também reflectir sobre o nosso tempo. Não só a época, mas o nosso tempo como capital verdadeiramente limitado que possuímos. Foi desde Gutenberg que o conhecimento humano se começou a fixar de uma forma sistemática e cada vez mais acessível. “Fast forward”, foi nos últimos 100 anos que tudo realmente acelerou e chegamos aos dias de hoje onde o conhecimento está verdadeiramente por todo o lado. E o que sinto, ao ler um importante livro de 1949, é que a duração média da nossa vida é inversamente proporcional à quantidade de conhecimento que fica disponível. É cruel.
É uma das razões que me leva a não entender o tempo infinito que dedicam às eleições americanas ou a um qualquer “espectáculo mediático” onde, após a primeira meia-hora, deixa de haver muito mais para dizer. Mas diz-se. É a “maratona informativa” de banalidades. Em vez de se aprender, fica-se mais burro.

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