Aquilo que eu sei
Durante esta sessão de pirataria informática aprendi uma série de coisas. A primeira é que posso contar com toda a gente desde que seja eu próprio e a família mais próxima (leia-se, mulher, filhos, irmão, pais e sogros). Como sou eu o único que percebo minimamente destas coisas, estou por minha conta. Não me surpreende no entanto, encontrar ajuda mais facilmente junto de completos desconhecidos, pessoalmente ou remotamente, em contactos que nunca passarão de umas letras num teclado.
Também é verdade que é durante estas adversidades que estou no meu melhor. Não há cá auto-indulgências. Se estiver motivado, consigo muitas horas de concentração com poucos intervalos. Entre esta chachada e o trabalho normal (e esta época!), tenho dormido quatro horas e o facto é que não noto.
Os sinais
O mundo WordPress está irremediavelmente contaminado e os piratas vários passos à frente. Os temas, os plugins, os widgets, que não sejam descarregados directamente do site do autor ou de meia-dúzia de sites idóneos, quando chegam ao nosso blogue já trazem código pirata. Além disso, os buracos de segurança são enormes por si só.
Quando notarem uma queda abrupta no número de visitantes, já sabem que o blogue foi comprometido. No entanto, a única coisa que o Google e outros motores de busca fazem pro-activamente é colocar o blogue na lista negra, ou seja, passamos a fazer parte de uma rede de malware, mas nada visível que realmente nos alerte para o que está a acontecer. Nas buscas, misturado com o nosso conteúdo legítimo, passam a estar coisas inomináveis a começar pelo Viagra que se mantém em cache durante semanas após a limpeza do blogue.
Se nos anúncios Google começarem a aparecer coisas estranhas não relaccionadas com o conteúdo normal do blogue e concretamente da página em questão, também é mau sinal.
Habitualmente no fundo do blogue aparecem também uns links estranhos, mas para um visitante normal, parecem fazer parte do site, por exemplo como publicidade. Esta acaba por ser a utilização mais inócua, fazer parte de link farms (Wikipedia), mas que irremediavelmente nos colocam na lista negra.
O Google
Considero a política Google absolutamente miserável nestes casos e dando-lhe tempo, vou considerar o Google miserável como um todo. Pela seguinte razão: Enquanto outras grandes empresas têm páginas e páginas de código de conduta, neste famoso motor de busca tudo se resume a uma frase “Don’t Do Evil”, o que é bom. Mas o que é “Evil”? “Evil” é o que o Larry e o Sergei dizem que é “Evil”. Por exemplo, sendo a China um mercado gigantesco, nunca será “Evil”. Nos muito rentáveis anúncios também não há “Evil”, razão pela qual mais de metade de todos os anúncios que aparecem em sites respeitáveis, são de esquemas de legalidade mesmo muito duvidosa e de ética inexistente, designadamente de assinaturas de tretas de telemóvel (o da morte é inacreditável), farmácia, pirâmide (trabalhe em casa), dietas, jogo, sexo… O autor do site tem de utilizar o filtro, uma ferramenta pensada para eliminar concorrentes, para de facto ser o nivelador moral dos anúncios que mostra. Mas também aqui os esquemas andam um passo à frente e com os domínios sempre a mudar, é difícil acompanhar. “Evil”, aparentemente, é também um blogue que se deixou apanhar nas malhas da pirataria, quer o seu autor saiba, quer não.
Por fim, o Larry o Sergei, são pela absoluta neutralidade na internet, mas se o assunto implicar judeus ou cientologistas e ameaças de processos, são mais neutrais para o lado que lhes interessa. Enfim, as coisas eram mais fáceis e lindas quando estavam os dois na garagem. Por estas razões os anúncios Google devem estar de saída brevemente (antes vou contactá-los com estas questões — não me refiro ao Larry e Sergei, mas alguém a quem eles pagam).
A solução
Backup de tudo. No meu caso backup da base de dados que inclui os dados das estatísticas Mint (hoje sei que seria melhor uma base de dados separada), exportação redundante de todos os posts, comentários e conteúdo em geral, backup das fotografias, backup do tema e de todos os ficheiros que constituem o WordPress. É necessário identificar os que estão contaminados e também utilizadores fantasma na base de dados (uma boa explicação aqui). Tudo somado, uma trabalheira inacreditável.
Apagar tudo. Reinstalar a última versão do Wordpress completamente do zero e recomeçar a construir a partir daí. O Sargaçal sofre de um mal que se revelou grave: É grande demais. O limite para voltar a importar o conteúdo em XML é de apenas 7Mb, o Sargaçal tem quase o dobro — o aviso só surge quando é tarde demais. Deve ser algo muito fácil de resolver para quem sabe muito, para mim deixou o blogue em baixo vários dias. Por fim, separei manualmente o ficheiro XML em dois (umas 190.000 linhas, o Coda ia dando o berro), algo muito fácil quando se sabe.
O WordPress
Apesar de continuar com o WordPress, não o aconselho a ninguém neste momento. Estou convencido e li sobre isso, que o mundo WordPress está em grande parte pirateado, mas os utilizadores não chegam sequer a notar. Não controlam as visitas que se mantêm nas poucas dezenas (os amigos), percebem pouco de internet e de programação ainda menos.
Estas plataformas opensource oferecem uma qualidade que no fim do dia, é equivalente ao seu custo. E o seu custo é zero. São todos muito simpáticos, voluntariosos e prestáveis, mas o produto final de grande potencialidade é deixado ficar totalmente mal por todas estas vulnerabilidades.
E ainda sei
Que o que é simples e funcional demora muito tempo a ser conseguido. O design, mais que o aspecto é como as coisas funcionam. Como disse, os anúncios estão de saída; o “enviar a um amigo” saiu porque em dezenas de milhares de visitantes, apenas 67 o utilizaram); o menu de tags saiu; e penso retirar mais. Nos sites tudo o que distraia o visitante da leitura é prejudicial (a quem quer ser lido, pelo menos). Há funcionalidades que são úteis para mim, como o Delicious, mas acabam por ser utilizadas por um número de pessoas verdadeiramente desapontador.
Os visitantes
Como já tive oportunidade de afirmar, esta situação permitiu de certa forma confirmar quantos são os leitores regulares e quantos são os para-quedistas (sem teor negativo). Os para-quedistas são importantes, porque volta e meia lá se converte um em leitor. Mas que ninguém tenha a mínima ilusão: A partir de um certo número (digamos 500), se o blogue é de conteúdo que exige leitura e alguma atenção, podem dividir o número de visitantes únicos diários por 10. Para que não haja dúvidas, é minha convicção que um blogue com 1.000 visitas por dia, terá no máximo 100 leitores interessados no que o autor terá a dizer. O que teoricamente dá 3.000 por mês, mais de 30.000 por ano e os textos continuam acessíveis durante muitos anos. Pouca imprensa escrita pode dizer o mesmo, ou seja, não é tão mau como parece.
Por fim, independentemente de o contador dizer 250 visitas por dia e existirem 100 leitores, ou dizer 1.000 visitas a que corresponde o mesmo número de leitores, descobri que prefiro esta última versão. É desanimador ver o contador a a andar para trás, essa é que é a verdade.

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