Guerra às árvores
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Na Senhora da Hora, Matosinhos, existe uma pequena urbanização conhecida como Sete Bicas, da cooperativa com o mesmo nome, suponho eu. São casas pequenas com um enquadramento interessante e com o tempo os jardins desenvolveram-se e o verde alastrou. Apesar de ser mesmo ao lado do primeiro hipermercado Continente do país, conseguiu manter o sossego e é um local aprazível. Além disso, foram preservados dois pequenos parques com as árvores que já lá estavam, essencialmente pinheiros bravos. Entretanto, estão agora a cortá-los todos.
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Há umas placas da CMM a dizer que abatem árvores doentes, blá, blá, e a importância de plantar árvores saudáveis. Resolvi ir visitar aquele cenário de guerra com o cão Quimby (que necessita de certa dose de convencimento para se afastar tanto de casa). Reparei logo que já estavam também a arruinar um magnífico eucalipto. E estava lá um cidadão a inspeccionar.
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Perguntei-lhe se morava lá e se sabia porque estava a fazer aquilo. Diz-me que os pinheiros estão doentes. Os técnicos disseram que os pinheiros estão doentes. Apanharam uma lagarta. Suponho que seja o nemátodo do pinheiro, embora não seja uma lagarta. Já tinha reparado em dois ou três pinheiros secos na ponta Sul do arvoredo.
E o eucalipto? Ah, esse está muito perto das casas e torna-se perigoso. Vendo-me a abanar a cabeça, acrescentou logo — e está doente! A verdade é que me custa argumentar. Nós, ali já não veremos em vida uma árvore daquelas mesmo que a plantem logo a seguir ao massacre e as crianças que lá moram também dificilmente verão. Não é aceitável que aproveitando a existência de pinheiros doentes, vá tudo raso. O argumento da segurança levava-nos longe. Começava logo por querer reconsiderar as estradas perto das casas e das escolas.
Mas há outra coisa que me faz desconfiar deste súbito excesso de zelo da CMM. É que pelos locais onde ando habitualmente, desapareceram mais duas árvores de grande porte. Das que há muito poucas na Senhora da Hora.
Uma na Praceta João Villaret. Um choupo enorme, verdadeiramente ameaçador.
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Outra na rotunda ao fundo da Avenida Fabril do Norte. Não me lembro da espécie, mas lembro-me que lhe penduravam luzes nas festas e a podaram de uma forma desastrada.
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De facto, desconfio deste súbito excesso de zelo. Também vi muito boas podas este ano, designadamente feitas pelo Centro de Jardinagem da Boavista. Por exemplo, nos plátanos que mostro aqui (Árvores de Portugal) a arruinar o pavimento e que quando vi os cartazes pensei logo que iam abaixo — afinal têm uns 20 anos, tempo médio da árvore no Porto. Mas são podas escusadas, estéticas mas ao nível do detalhe, não de grandes linhas. Das duas uma, ou a CMM vive desafogada, ou julgo não estamos em tempo para detalhes. É deixar as árvores crescer. Em paz e sossego.

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